Corsário ### Prosa versão inversão - libertino espaço cibernético
GOA
Carlos Emílio Corrêa Lima
Este conto é dedicado aos poetas Thiago Arraes e Michel Melamed
ASTRONOMIA - JATO DE RAIOS VARRE A VIA LÁCTEA
LOS ANGELES- Um breve jato de raios Gama e X, de potência jamais vista, foi detectado no fim de dezembro na Via Láctea. Segundo a Universidade de Califórnia, em Berkeley, a energia gerada em dois centésimos de segundo por esse enorme "relâmpago", foi superior à produzida pelo Sol em 250 mil anos
Jornal do Brasil, sábado, 19 de fevereiro de 2005
Daquilo que parecia uma voz de lago ou de mulher, eu - o que bem pouco sabia de mim - quase sentia firme o meu ver como uma medula vertical até meus brotos próprios de visão vagamundos por ali e certos aquis mais reconcentrando-se em sinais e ultrapassagens de zonas distantes misturadas com desaparições - a qualquer momento eu poderia içar-me a uma outra região qualquer, estava aqui e ali ao mesmo tempo - e era mesmo muito difícil concentrar-me no meio daquela ventania de coisas e seres tentando arquiteturar-se, agrupar urbanizar novas concisões de sentir, arquipélagos de conceitos voadores, eu me pressentia ao que meu antes poderia conseguir em ser-me algo fundo que alcançasse trazer palavras migratórias de ocidente à oriente, e palavras de cima e de debaixo. A única coisa que não trazia de longe, que já se coadunava anterior à sua pró-sensação de existir vinda de outros congregados movediços era o solo (este é o primeiro conto do Livro da Terra), a terra, o horizonte que precisam ser mesmo uma coisa só. Isso era firme, de areias estacadas, de brancura. Algo sem ainda, sem micróbios muito sequer se por perto essas areias delongadas mas eu me esforçava muito em ser um eu vindo de diversas partes ao mesmo tempo sendo muitos em um afunilando-me para falar com aquela pré-surgência de voz flutuante que queria ser um mínimo quê de dedolinear-se, eu via um olho de rosto espumoso, um olho de casca diferente, giratório, um colibri nu de areias óticas no meio de espumações tentando fazer a forma de um sercunflexível olh`outro, eles vinham dois olhos rabiscados em seus contornos de abelhas também sendo desenhadas por formações aéreas de coisas vivas muito menores que se pudessem ver fora do ver, e ao ser que ali se impunha por agrupamentos rápidos oscilantes de recém-manifestações de quase-seres-vários dizia-me isso que estamos ouvindo em desconjunções toantes pré-mentais que aquele era um lugar ainda em formação cuja natureza era estar sempre refluindo sanfonado e recombinando-se de todas as coisas e seres dos mundos imaginados que são na verdade tudo o que existe e não se sabe dos diferentes terraços estratificados e simultâneos do Universo dos universos dos universos.
Para poder piscar conversar com a figura que eu não sabia quem era ao ser ela elo ar eu me sentava na mesa básica. Literalmente subia na mesa pura para ver se estava pronta, se eu conseguia ficar em cima dela, de pé, com o que seria minha futura cabeça, era apenas uma goiva cheia de sílabas sibilantes, sonoramente estardalhaçada com muitos galhos e folhas próximos flutuando no espaço que seria ocupado por uma cabeçoutra coisa ainda só uma quentura sem limites rígidos nos delineamentos na poeira no turbilhonamento de sua pré-presença, eu - precisávamos muito - agrupar-me em meus muitos nós mas só conseguia-me trazer folhas frutas ascensionadas de todas as partes que assumiam por instantes meus esboços meus contornos ainda não delimitados,eu ficava então piscapiscando sobre a mesa meus delineamentos folheando-se à espera de palavras em migração num amontoado ritmoso de frutas folhas gravetos partículas levitadas dançarinas lampejantes. Ficava mesmo muito difícil falar naquele ambiente de multiplicações e reagrupamentos que era quase eu sem um corpo fixo fundamente nele de coisas e itens quase intuídos em contínuo movimento, pré-pensados e que nunca - maravilha ! - chocavam-se entre si mas regiravam sem condutos sem cuidados.
Seu corpo tem o formato de sua própria viagem. O jovem ouro rumor encandescido latente em filtros de sentir-se tonalizado de transportes vários em vagens de si mesmo agrupava suas sensações milenares de todas as épocas preenchendo-se já mesmo concentrando-se mais e mais ali deitado um pouco a mais no seu mesmo si retinsentindo-se numa diagonal de previser - ele agora afastara-se alguns centímetros da mente de mim ali vaporizando-se - massageava o meu chegar de todas as partes com dedos de pontas não-pensantes já tocantes ele nítido fincado flexiventilado, corpo ousando-se ventoso corpo foi então que recebeu o meu gozo atento a fixar-me medula vária trêmula foi então que ali então eu era eu alguns pulsares, concentrando-me nos cílios cócegas, farejando-me, enchendo-me de mim meus olhos muitos por toda a parte circunvagando por meu todo eu terreno pelo seu tocar-me repossuindo-me de meus ocos assim vagares aí ele já ouro corpo de sussurros vicejantes elevantou-se fluindo que tremulava fazer outra coisa estalada nos seus extremos de seu ambientaser, soprar-se em si mesmo nas ramagens de sua borda. Coruscar-se. Eu recombinei-me numa ação de procurar com meus ajuntamantos onduláveis e audíveis rangentes meus tendões de transentir-se-me caule e dorso de fluxos velocíssimos do autopercorrer-nos jorroser em busca de expelir a parte mais distante intocável de mim de desligá-la em, alguma pedra com um lagarto verde na distância com a primeira palavra dita pronuncaída, em, ocultada fechada em sua mente morna e errante, era preciso desligá-la, desatá-la como se a procurar-se primeiro em lacunas de terra salitrosa entre piscinas vazias de termas antiquíssimas depois nos próprios ladrilhos úmidos fundos lodosos em certas partes a mensagem do mapa de meu corpo-ser que eu precisava ver para começar a unificar-me ali montada nos azulejos o meu projeto topográfico a minha forma minha paisagem estilizada o meu percurso-corpo ali pré-fixado e só então eu me entender a partir das ventanias do meu ver fortíssimo sobre o que restava das águas ali prisioneiras quase evaporadas e entender-me estender-me inteiro para sempre ali por enfim compreender ao ver pela primeira vez a minha imagem mosaicada no leito da grande piscina abandonada num sítio de recreação extensa e de descanso para seres de formas de uma outra época e de uma outra mais diversa e olvidada esboroada geometria que já se esgotara há milênios em escoadas alvoradas, saber a forma recipiente que teria que percorrer através de mim e demarcar os meus contornos para todos os lados do país. Eu me estender preciso por todo o meu mim mesmo, retocando-me em todas as minhas fronteiras, demarcando-me com sinais e movimentos , escritas e aragens, sensações assinalando-me independidas em pedras, troncos, fluxos d`água quente da terra borbulhando mensageando-me e mostrando-me a mim mesmo por todo o território nas partes dele que eu sou e me mantenho pois ali, aqui e lá então unto-me e além de mim mesmo frondeio-me aonde ainda nem aconteci.
[continua]