Corsário ### Poemas versão inversão - libertino espaço cibernético
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o mirante da jangada na terra que plantamos a infância
lá ficava amontada no pé de cajueiro
de onde se via tudo e a todos
e todas as almas e todas as rosas toadas
lá descobri que tinha uma cerca entre meus dentes e meu medo
descobri sobre desejo e a dor e o chão
e que de lá por muito tempo, depois iria plantar um choro muito prolongado por ver o tempo passar e catar os pés de feijão e não encontrar sequer uma vagem daquele cheiro que soluçávamos ferozmente e com a calma aterrorizante
lá vai lá vai olé olá o trem olá
isso pouco importa
para o mundo
para o vasto mundo
esse umbigo é caramujo
é lesma de pé
é raio de sonho
é medo
ontem tive um sonho onde todas as mulheres iriam descansar nos mirantes fazendo suas porções de amor
e de magia e parindo seus filhos
toda uma humanidade de cavalos-marinhos
me vi rasgado pelo mirante avoante
do medo de saber que tudo vira pó
e a casa
lá
p’ra lá
e desterrada
p'ra lá da terra e do mar
dos dentes podres chagas feridas pele calma pó
a casa estará lá por todo o tempo
p'ra lá da terra e do mar
onde nada foi criado
e de onde o mar e o amor traz-apraz e fica a perdição e toda maldição encoberta pelo pé de cajueiro
e de onde o mar novamente será abençoado
quando for plantado
outro pé de cajueiro
outra trepada com gozos berrantes
para toda ferida temos o veneno na medida
para todo antídoto temos a cobra avoante sereia.
meu pé pelo trono
meu pé pelo reino
pelo pé de cajueiro do mucuripe e do mirante
e da queda no mato
e a fuga
pelos sonhos.
meu trono pelo pé de cajueiro.
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Mardônio França - Poeta multimeios. Gosta de computadores, fotografias e jangadas. Editor a revista eletrônica Corsário.
Endereço Eletrônico : mardfranca@gmail.com
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Fotografia por Dirceu Matos