Corsário ### Poemas versão inversão - libertino espaço cibernético


A Invenção de uma Ebulição

Lamentos se enrolam e se deitam cândidos
às vésperas de um tumulto ensolarado
espalhando luz em vergão
pelo tatame do convívio, doce convívio que
veste qualquer movimento em direção
da suposta mão cordial que se abraça
com outras mãos e se apertam
e se invejam em suas linhas. 


Ímpetos se afogam com pontos de interrogação
talentosamente construídos para adornar
as cinturas que não podem
perder seus rebolados na rotina bambolê
dos dias risonhos, em crise, os dias
se amparam em sementes tratadas
com novos putos ímpetos sobreviventes
e pequenas falcatruas de postura. 

Celebrações de aventuras,
taças tácitas, solenes,
a perenidade assustadora na batida
de corações que se ajoelham
açambarcando notícias, desmantelos e sonhos
em montagens de resfôlegos anônimos.

Entre palmas, assobios e meneios,
surge uma paralisia em cada vão dos dentes. 

E aquilo que se torce tem para onde escapar? 

As graxas sujam mesmo ou é só pretexto para o jogo dos mascarados? 

A miséria pode estar em linho
ou isso
é só um modo de reinventar fragilidades? 

De um ponto é possível observar
uma linda moça cavalgando em seus desejos
mais secretos, mais sinceros, e também nos mais postiços,
uma moça-casa-de-amores-desajeitadamente-belos;
de um outro se expande a magreza
dessa mesma fêmea, tão esbelta
que é capaz de acoitar quem a destrata,
de morder verrugas como quem lambe doce.

Da brecha dos pontos
é possível cogitar o abandono de tudo,
o senso esquisito de não fazer da insistência
mero pano de fundo ou sombras
para um descanso carente de brisa.


Guto Melo
http://mercurioeluxuria.blogspot.com/