Corsário ### Poemas versão inversão - libertino espaço cibernético
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poemas
morto qualquer início. morta qualquer renovação.
morto nosso corpo defeituoso. destruída a festança errada, a morte acidental
do amor. a morte proposital do eterno amor. a lembrança assassina que jamais
se manifestará. sem nenhum contato. sem nenhuma definição. nenhuma
radiografia me avisando dos tumores e dos canceres.
o elogio está morto enquanto o rapaz assustado oferece flores nocivas à nós:
as vagabundas da última ceia; as tramissoras de todos os infelizes vírus;
as
demoníacas princesas das navalhas afiadas.
a festa está morta. falecida qualquer tentativa de felicidade; morta
qualquer orgia que não a deles. o sexo do rapaz morto e suas orações
barulhentas como marcha fúnebre; o sexo viril do menino devastado pela
doença dos porcos; corroído pela sujeira dos selvagens; amputado pelo ódio
das matilhas infectadas.
como bactérias imundas e grandes avançamos na vida.
isso é nosso. tudo a ver com a falta de esperança parida e a fornicação do
tédio.
os quartos são quentes quase o dia todo.
os corações são mortos quase todas as horas.
o que temos não nos limpa da carniça, muito menos nos dá território nem
coragem, porque se precisamos de forças na hora de cavar as covas, também
precisaremos de forças pra escurecer a casa, pra abafar os desejos
calorosos, nos injetar fogo interno, alimentar as veias com as sobras da
comida enlatada. porque estamos enfeitiçados pela música, porque possuimos
finais que continuam.
libidinosidade estéril.
temos passagem pela polícia e outros delitos desde a infância. mas a infâcia
foi boa sim porque havia compaixão e ajuda nas horas de cama.
a nudez morta por todos os lados, nosso interior indefeso buscando uma fuga
dessa escuridão. nossos olhares sem nenhuma delicadeza. nossa voz sem
nenhuma lembrança da beleza que fomos, do amor que cultivamos em época de
saúde e verdade.
mas a degradação não pode está morta.
a infecção não está morta.
a peste cada vez mais supurada. o câncer cada vez mais roedor.
mas o amor está acabado e a paixão sempre esteve morta por nós, porque o
amor em nossas carcaças é coisa que rápido apodrece e se esquece e se deixa
esquecer. talvez doa.
as ruas querem badalações e festas. nossos corpos querem descanço e
distância dessa porcaria toda.
sujos não teremos nenhum valor. sujos de dor não cicatrizaremos nunca as
feridas da moda.
morto o dia que nos apaixonaremos.
distantes enquanto dormimos.
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o diabo se quebra quando você apaga as luzes amarelas e se encolhe longe de
alguns desejos.
eu me esfrego duro nas paredes do corredor até que alguém me descubra e me
esmurre.
meu pai.
esfrego meu crescimento nos travesseiros da cama onde você dorme.
e não mais nos lamberemos. nunca mais.
disfarçar a luxúria branda e lhe sugar as calças de general osório; te
arrastar até meu inferno de nervos molhados e te chupar um por um os teus
dedos sujos de merda e sebo; te violar esse caralho ereto dentro do uniforme
de colégio militar.
e nada disso é verdade. nada disso foi verdade. e sabemos que não e sabemos
tanto que nada será verdade que aproveitamos e nos masturbamos um de frente
pro outro, nos olhando ternos e gamados, pensando em deus e seus membros,
sofrendo crespos e morrendo sentados em veias não transmitidas.
pois sabíamos que não teríamos a coragem, nem o começo de pegar um no outro
e se desfazer duma vez logo, muito menos de alarmar o que nossas bocas
sabem, o que nossos cérebros aprederam.
os pesadelos que enfeitávamos com os restos da nossa comida.
sua boca cheia de flores mortas do meu seio de macho e mentiroso.
mas meu corpo é feio e magro entao fecha o zíper e chora comigo_
teremos amor se voltarmos logo.
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chão com fungos e baratas mortas
perto da porta quebrada que de repente retorna
que de repente alastra meu caminho óbvio.
minhas pernas sem dono abertas de encontro a seu sexo bem maior.
bem maior que o meu_ muito maior que o meu.
- mais baixo deynne, mais baixo que tem gente morrendo na sala ao lado.
a vodca que ingerimos rápido em surdina para não dividir com ninguém. a
sonda de nossas gargantas avisa aos berros que entupirá em breve. todas as
minhas bocas socadas em seu caralho difamador. estranho. mas branco. como
suspeitei.
me engasgo e você diz que temos que mentir cada vez mais, que tenho que
fugir pelos fundos quando amanhecer. que meu corpo é de homem e o seu
também. mas estamos pregados em cuspes poderosos que nem deus, nem anjo, nem
prêmio algum nos soltará.
pois qualquer um desvendaria essas suas nádegas lisas.
suas pernas finas de bandido também lisas.
seus dedos de defunto gasto.
qualquer um desvendaria.
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atolado em pântanos de semêm me torno grávida.
meus homens fecham algumas bocas em meus sonhos de cão.
homens nus sempre fomos.
índios novos de sentinelas agudas e graves.
um extra de larva em mim.
sebos violetas e incertezas cinzas.
tenho-te casto entre os coitos.
entre as virilhas o sexo alarma.
Deynne Augusto
*Fotografia Eduardo Cardoso