Corsário.Poema lançamento.experimento. versão inversão - libertino espaço cibernético
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paixão (alta tensão) pode ser um vício, mas jamais será costume. e eu desejo afirmar que não me des-espero por isso. mas o que pode esse desejo para além da decisão de sua afirmação? cuido de mim como quem cuida de um bebê e não sei dizer o que supostamente gostaria de me dizer, mas ouço, com atenção, os gemidos e eles vem de quem? essa perguntinha é a tentação do demônio? ecos do desvio: se não posso sustentar o peso, aí mesmo é que eu me solto a bem dos ares. melhor não impedir o choro doloroso daquilo que não sabe seu falar. e enquanto ouço, enquanto ouvimos agora isso, isso que é de um fundo muito bruto e muito exterior ao nosso nome próprio, enquanto isso parece ser tudo, eu já posso, há pouco tempo, assobiar uma canção qualquer ou escrever/montar este texto aqui, agora, voltando atrás, pelos meios, copiando, colando, palavras, crateras, o choro do bebê e também seu sorriso, sua inquietação quando ele pára de falar alguma coisa e começa, recomeça outra e eu lhe cuido como uma mãe morta e presente. morta porque não pode sustentar o peso, presente porque não pode sustentar o peso. sustentar o peso, sustentar o peso, sustentar o peso. sou uma mãe que vela o presente e gostaria de escrever um livro chamado o homem que esqueceu a linha. não, melhor seria escrever o homem que esqueceu o homem. mas escrever talvez nem seja uma grande vontade da vida diante desse fim que não cessa.
André Monteiro
| versão 2.0 |
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