Corsário.Poema lançamento.experimento. versão inversão - libertino espaço cibernético
![]() |
|---|
sei que uma perguntinha ordinária como, por exemplo, “pra onde ir?” não me diz outra coisa senão seu óbvio: nada acabou - ainda - pra mim. mas não é com esse “ainda” cínico posto aí atrás que eu poderei estar em segurança no meio da onda que desejo como algo que não me pertence, como algo que me des-informa. não gostaria de saber, mas sei: por hora, ainda sou capaz de me agüentar e sei disso com toda a clareza que tal afirmação pode liberar. no entanto, pelo menos agora, vou matar em mim o desejo de me esquecer porque sei com muito cuidado: eu não posso desejar o meu abandono para que ele venha a mim e conserve tudo o que já posso saber de minha perdição cansada. eu tenho que senti-lo fora de mim e - muito de repente - naquilo que nunca me coube. minha solidão saudável diante de mim só poderá ser povoada pelo esquecimento, mas ele não deve ser meu alvo desde aqui, de antes de seu fim. não é observando simplesmente a prisão
(a prisão que é minha e só minha e por isso aqui e agora mesmo - dentro e fora desses redundantes parêntesis – me assegura sua infinidade)
,
não é constatando a impossibilidade do fim que eu vou, finalmente, sentir a minha ida sem a minha volta e sem a minha grande e estúpida companhia sempre já partida pelo meio de muitos campos de forças, eles também partidos e, em sua maioria, viciados em suas virtudes de conservação, como convém a toda maioria quando encarada sob o ponto de vista da própria. digo campos de forças porque quero crer que eles são mais do que toda a gente escrava da gente. talvez, a partir do fundo de minha máscara re-visora, eu só diga isso por ter muito medo de gente, muito mais do que de qualquer outra coisa, por mais coisa que seja – o que demonstra uma forte distinção (uma distinção humanista) de minha parte. atravessar o medo que está comigo: será mesmo meu esse grande humanismo de querer driblar quase toda gente? mas e agora? não é essa a perguntinha típica da prisão?
agora?
agora eu de novo. agora eu tenho uma forte tendência a te pedir um pedaço de qualquer coisa sua sabendo que necessito partir mais uma vez sem, mais uma vez, fazer disso uma mesma velha história. eu sei, eu sei, sou velho, velho mesmo, e já parti sem saber de ti e não me esqueci e me reparo na memória: você presente comigo. e depois?
depois é uma palavra que aparece quando a gente não sabe se ainda é cedo. ainda bem que eu perdi o fio desse texto e não vou voltar atrás.
não vou.
André Monteiro
| versão 2.0 |
|---|