Eu escrevo pra mim mesma a somar rimas. Uma por cima das outras, como os eus por cima de mim. Como as borboletas úmidas que pousei em seus lábios. Como bênçãos a beira-mar. Perdoei-me se pisei nos seus pés enquanto dançávamos, mas meus ombros pesam tanto que só bailo em baixo dágua. Construções subaquáticas abalam os meus terremotos: Em tempos imemoriais eu me barbeava com dentes de marfim e não sabia pra que serviam os pêlos. Eles estavam lá e eu insistia em os tirar. Até que um dia, em que se morre, deixei os pêlos crescerem e eu cresci junto. e neles me agarrava, a puxar a mim mesma, a somar dores, uma por cima das outras, como ecos por sobre mim. Abismos saídos dos olhos e do largo silêncio entre nós (fósseis que em outra noite estavam vivos e nos devoraram, mas que gosto tínhamos? Não sobrou acre, azedo ou doce na língua? Não sobrou úmido ou molhado? Então não trazíamos gosto). Mas sobramos restos de nós e da noite que é sempre a mesma a passear por nossos copos cheios e corações vazios. Eu falo por entrelinhas por que quando grito pareço sussurrar. Quando levanto pareço cair. quando morro pareço voar e quando vôo pareço teimar que os dias nublados são mais belos. O resto do tempo ajo por mim a somar erros um por cima dos outros, como sua pele por sobre a minha e esse poema que não tem fim somando sílabas como vagões de trem a me cruzar.
Ayla Andrade - poeta e contista cearense
Breve Biografia - Mais publicações do autor
Email -
damadanoite@gmail.com
www -
http://mmedrunkenbutterfly.multiply.com/
editora |
revista |
poemas |
prosas |
cartas |
livros |
filmes |
áudios |
marinheiros |
rotas |
contatos |
::: corsário ::: revista de literatura |
revistacorsario@gmail.com | arte livre: para copiar e distribuir | sítio em desenvolvimento