– Adeus, Helenice. – Falo discretamente para a loira esposa de Smelson, enquanto aperto sua mão e olho para a pequena meia Lua em sua testa e para seus olhos brilhantes.
Ela sorri e, piscando com cumplicidade, me diz: – Adeus, Franzé.
Aperto em seguida as mãos de Smelson, são os últimos a embarcarem na Cosmos III.
– Adeus, John Calderas.– Diz-me o kepsiano.
Instantes depois, a grande espaçonave esférica singra os céus terrestres rumo ao infinito. Eu fecho a janela do quarto e me deito. Meu corpo tremula, fica estático na cama antigravitacional, mas minha consciência parte na velocidade taquiônica em direção aos viajantes.
Eles já estão saindo de nosso aglomerado local de galáxias. Todas elas se movem rapidamente. Vejo quando a Via-Láctea gira como um furacão uniforme até que Andrômeda colide nela seus braços espiralados.
Enquanto crescemos e nos afastamos dali mais rápido que a luz, bilhões de galáxias não passam de um enxame de vaga-lumes multicores. Quanto mais nos distanciamos daquele esférico Universo, mais rápido ele se expande. A Cosmos III continua se expandindo. Nosso Universo é o mais tênue dos milhares que se apagam ou explodem ao redor. Ele some completamente e em seu lugar surge outro Big Bang microscópico. Agora, apenas se veem milhares de microuniversos cintilarem, nascerem e morrerem constantemente. Para a Cosmos III, eles não passam agora de infinitesimais oscilações quânticas no vazio espaço-temporal.
– ... e parece que a Cosmos III se reduziu completamente... – Escuta Smelson a voz do doutor Périples, que acompanhava o experimento em Cosmópolis na galáxia Kelps. – ...Esperem! – Prossegue a voz e a imagem do cosmopolitano ruivo e esbelto tremula no holograma até ficar nítida para a tripulação. – Estamos detectando-a crescendo novamente. Será que desistiram do experimento?
– Não, doutor. – Responde Smelson. – Para nós o experimento durou quase um século.
– Quanto maior o Universo, mais lentamente o tempo passa. – Teoriza Galik. – A diferença foi tão grande que vocês nem notaram nossa ausência.
– Fantástico!!!
Momentos depois, a tripulação desembarca. Todos estão curiosos para saber sobre a Eternidade das consciências. Diante da multidão ansiosa ao seu redor e espectadores por toda a galáxia, Smelson informa:
– Após o colapso de um universo, as consciências perdem completamente suas memórias anteriores.
Dabu sorri satisfeito. Ambos estavam paradoxalmente certos. Conseguiram confirmar que tanto morrem, quanto são eternos.
E Smelson ao lado de Alênia conclui:
– O fim de uma eternidade é o começo de outra, eternamente.
Denis Moura de Lima - escritor de ficção científica, poeta cearense
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