Jingle bells, jingle bells... Acabou o papel ?
Essas palavrinhas têm se tornado cada vez mais frequentes entre os usuários de computadores. Para quem vive em tempos de internet, e presencia mudanças tão vertiginosas em curtos espaços de tempo, talvez não tenha se dado conta da dimensão que elas têm para a leitura. Breve história do papel O papel, tal qual conhecemos hoje, nem sempre existiu. Do aparecimento da escrita até ele foi um longo caminho. Os povos antigos encontraram diferentes formas de registro da escrita. Os sumérios, por exemplo, utilizavam tijolos de barro. Os indianos, folhas de palmeira. Os maias e astecas, valiam-se de uma matéria-prima encontrada entre a casca e a madeira das árvores: as tonalamati. Já os romanos, tábuas de madeira cobertas com cera. Mas, foram os egípcios os responsáveis pelo tataravô do papel. Por volta de 2.500 a.C., eles utilizavam o papiro, extraído da medula da Cyperua papyrus. Assim, o papiro era utilizado como suporte para a escrita hieroglífica, que era privilégio de poucos iniciados e, geralmente, tratava de assuntos ligados à astronomia, à matemática e à religião. O pergaminho, por sua vez, também antecedente do papel, era fabricado com a pele de carneiro. O grande inconveniente desse suporte é que, além de necessitar da pele de inúmeros animais para produzir uma pequena quantidade de pergaminho, também era muito difícil de armazenar, devido à extensão. Contudo, foram os chineses que iniciaram a produção do papel feito com fibras vegetais. Ele era produzido com a fibra de certas árvores, como o bambu, e misturado com água e restos de outros materiais, como a seda. A mistura era então colocada em caixas até originar uma pasta. A difusão dessa tecnologia para o ocidente, entretanto, somente ocorreu algum tempo depois, através dos árabes. Livro Digital José Afonso Furtado considera que a definição do termo e-book ainda não está consolidada e é passível de grandes controvérsias semânticas. Segundo o autor, há, pelo menos, três modalidades em que podemos reconhecê-lo: livro em formato eletrônico; formato eletrônico em que o texto é convertido ou criado; dispositivo de leitura dos textos digitais ou digitalizados. Além dessa discussão, ainda aponta outra questão, não menos relevante, que seria a oposição entre dois grandes paradigmas: um que defende a versão eletrônica como mera extensão ou recursos secundários das publicaçes impressas; outro, que defende a criação voltada, desde o princípio, para explorar os recursos da cultura digital. Porém, algumas características são essenciais para definir o e-book: um conjunto de textos eletrônicos codificado e publicado em formato digital, que possa ser decodificado por meio de um programa para tornar-se legível para o leitor e que possa ser lido independentemente da internet. Impresso X Digital Mas, será que o livro digital veio para substituir o livro impresso? No livro Hamlet no Holodeck - o futuro da narrativa no Ciberespaço - Janet Murray defende que “o computador não é o inimigo do livro”, ao invés disso, é o resultado de uma evolução que só foi possível através de mais de cinco séculos da cultura impressa. Entretanto, admite que a máquina revelou as limitaçes do livro impresso. O computador é capaz de proporcionar sensaçes que antes não eram possíveis. Há, portanto, um natural “fascínio do tátil”, como as sensaçes vividas pelo Selvagem, em Admirável Mundo Novo, diante do cinema sensorial. Suscita, ainda, reflexes éticas, decorrentes das novas formas narrativas. Mas, será que o livro digital veio para substituir o livro impresso? No livro Hamlet no Holodeck - o futuro da narrativa no Ciberespaço - Janet Murray defende que “o computador não é o inimigo do livro”, ao invés disso, é o resultado de uma evolução que só foi possível através de mais de cinco séculos da cultura impressa. Entretanto, admite que a máquina revelou as limitaçes do livro impresso. O computador é capaz de proporcionar sensaçes que antes não eram possíveis. Há, portanto, um natural “fascínio do tátil”, como as sensaçes vividas pelo Selvagem, em Admirável Mundo Novo, diante do cinema sensorial. Suscita, ainda, reflexes éticas, decorrentes das novas formas narrativas. Mas, afinal, quais vantagens oferecem os readers? Confesso que fiquei maravilhado ao saber que poderia viajar com algo em torno de 800 livros dentro da bagagem de mão. Tal façanha seria impossível de ser realizada com livros impressos. Porém, os notebooks e netbooks já traziam essa facilidade. Livros digitais, em diversos formatos, também podem ser lidos nesses computadores portáteis. A grande vantagem de um leitor digital é que ele foi desenvolvido para a leitura, embora algumas marcas possam oferecer recursos extras como acesso à internet. Com isso, a tela possui uma tecnologia que faz com que ela se assemelhe ao papel convencional, permitindo a leitura até mesmo quando exposto à luz solar. Não há a inconveniência do excesso de claridade, comum no computador tradicional. Além disso, é possível fazer anotaçes e pesquisar um conteúdo determinado, sem riscar ou fazer dobras no livro. Isso tudo sem contar que o preço de custo de um livro digital é infinitamente menor que o de um livro impresso, o que poderia contribuir com a difusão e acesso à leitura.
Katiusha de Moraes - poeta
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